Formulação de Caso · TCC

Hipóteses de Trabalho

Explicações provisórias que respondem às perguntas fundamentais: por que esse problema surgiu agora, nessa pessoa, dessa forma? E por que persiste?

Instrumentos vivos — revisados a cada sessão
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Hipóteses são explicitamente provisórias. Apegar-se à formulação inicial diante de evidências contrárias é viés de confirmação. O clínico que nunca revisa sua hipótese não está sendo consistente — está sendo rígido.
Os três eixos explicativos

Por que esse problema surgiu e por que persiste?

A formulação clínica organiza os dados em três tipos de fatores que, juntos, explicam o quadro completo do paciente.

"Por que agora?"
Fatores Precipitantes
Eventos que desencadearam o episódio e ativaram a vulnerabilidade existente do paciente.

Perda de emprego → depressão

Término de relacionamento → transtorno alimentar

Pós-graduação → TAG

🧬
"Por que essa pessoa?"
Fatores Predisponentes
Vulnerabilidades pré-existentes que explicam por que o mesmo evento afeta pessoas de forma diferente.

Temperamento ansioso desde a infância

Apego inseguro e traumas não resolvidos

Crenças centrais precoces de inadequação

🔄
"Por que continua?"
Fatores Mantenedores
Os mecanismos que perpetuam o problema — o foco clínico mais importante para intervenção.

Evitação → mantém medo intacto

Ruminação → sustenta humor deprimido

Comportamentos de segurança → mantêm pânico

Foco clínico central

Fatores Mantenedores em Detalhe

Clinicamente mais importantes — são onde as intervenções produzem maior impacto. Clique em cada mecanismo para entender como opera.

🚪 Evitação

Mantém o medo intacto ao impedir que o paciente descubra que a situação temida é tolerável. Cada vez que evita, o alívio imediato reforça a evitação e confirma implicitamente que a ameaça era real.

"Evitar elevadores impede aprender que não colapso dentro deles."
🌀 Ruminação

Mantém o humor deprimido ao fixar atenção em perdas passadas, falhas e injustiças. Parece produtivo ("estou processando"), mas é repetitivo e não leva a resolução — apenas amplia o sofrimento.

"Ficar revisando o divórcio não resolve nada — mas ocupa a mente com dor constante."
🆘 Reassurance Seeking

Buscar reasseguramento compulsivo mantém a ansiedade ao impedir que o paciente desenvolva tolerância à incerteza. O alívio é temporário — em horas, a dúvida retorna e a busca recomeça.

"Ligar para o médico 5x/dia com medo de doença impede aprender a tolerar a incerteza médica."
🦺 Comportamentos de Segurança

Comportamentos usados para prevenir o temido catastrófico. Quando o catastrófico não ocorre, o crédito vai ao comportamento de segurança — não à sua ausência de risco real. Mantêm a crença intacta.

"Sentar perto da saída em reuniões impede descobrir que o pânico passaria sem escape."
Caso Clínico Ilustrativo

Hipótese aplicada: Marina, 34 anos, TAG

Marina, 34 anos, professora. Procura terapia após dois meses de preocupação excessiva, dificuldade de concentração e insônia. Relata que os sintomas surgiram após ser promovida a coordenadora escolar.

Precipitante
Por que agora?
Promoção a coordenadora — maior responsabilidade ativou crença de incompetência
Predisponente
Por que Marina?
Temperamento ansioso, mãe hiperprotetora, crença central "devo ser perfeita para ser aceita"
Mantenedor
Por que continua?
Reassurance seeking (pede validação constante), evita delegar, ruminação noturna sobre erros do dia

Fatores Protetores e Recursos

Moldam o prognóstico e orientam onde investir primeiro na terapia. Clique para explorar cada categoria.

👥Rede de apoio
🧠Inteligência emocional
🏆Experiências de sucesso
🧭Valores claros
🔥Motivação para mudança

Rede de apoio social

Relacionamentos de qualidade funcionam como amortecedor de estresse e fonte de regulação emocional. Pacientes com rede de suporte sólida respondem mais rapidamente ao tratamento e têm menor taxa de recaída. Avaliar: quem está disponível? Qual a qualidade dessas relações?

Inteligência emocional

Capacidade de identificar, nomear e regular emoções é recurso terapêutico valioso. Pacientes com maior inteligência emocional assimilam o modelo cognitivo mais rapidamente e generalizam as habilidades aprendidas para situações novas.

Experiências de sucesso prévias

Evidências históricas de que o paciente superou dificuldades antes. Úteis para desafiar crenças de incapacidade ("Mas você atravessou aquele período de…"). São dados objetivos contra pensamentos automáticos de desamparo.

Valores claramente definidos

Quando o paciente sabe o que é importante para ele (família, crescimento, conexão), os valores funcionam como bússola terapêutica — orientam metas, motivam exposições difíceis e dão sentido ao esforço terapêutico.

Motivação para mudança

A ambivalência é regra, não exceção. Avaliar o estágio motivacional orienta abordagem: pré-contemplação exige psicoeducação; contemplação, exploração de prós e contras; ação, técnicas específicas. Forçar técnicas antes da motivação adequada produz resistência.