Um problema bem colocado é um problema meio resolvido.
O Processo em 5 Etapas
A resolução de problemas em TCC segue uma sequência estruturada. A etapa 1 — definição — é a mais subestimada e a mais decisiva.
A maioria das tentativas frustradas de resolução de problemas falha na definição, não na execução. Um problema mal formulado leva a soluções inadequadas — não por incapacidade da pessoa, mas porque ela resolveu a questão errada. Investir tempo na definição é o movimento mais eficiente que existe no processo.
Fatos vs. Interpretações
Misturar fatos e interpretações como se fossem a mesma coisa desloca todo o processo de resolução. Trabalhar a interpretação como fato gera soluções para um problema que não existe da forma descrita.
Ao decompor o relato do paciente, identifique o que é observável e o que é inferido.
🗣 "Meu chefe me ignorou na reunião — e claramente não me respeita."
Problema Sintomático vs. Operacional
A linguagem usada para descrever o problema determina o tipo de solução que se pode gerar. Reformule sempre em direção ao específico, observável e acionável.
Resolvível vs. Insolúvel
Uma habilidade clínica essencial: identificar quando o problema admite solução e quando a intervenção deve ser aceitação e adaptação — não porque o paciente é incapaz, mas porque a situação está genuinamente além do controle.
O problema está dentro do círculo de influência do paciente. Há ações concretas que podem alterar a situação.
Perdas irreversíveis, diagnósticos graves, eventos passados — não resolução, mas luto, aceitação e adaptação (domínio da ACT).
Distinguir o que pode ser mudado do que não pode é um ato terapêutico em si. Aplicar resolução de problemas a situações genuinamente insolúveis gera frustração, sensação de incapacidade e reforça crenças negativas. Nomear a diferença devolve clareza e direciona a energia corretamente.
O Erro Mais Comum: Tratar o Sintoma como Problema
A linguagem do sofrimento tende ao genérico. O trabalho clínico de definição é sempre um movimento de especificação progressiva — do vago ao concreto, do interno ao observável, do diagnóstico ao comportamento.
Quando o paciente apresenta uma queixa vaga, estas perguntas guiam o refinamento progressivo:
"Em que situações específicas isso acontece? Com quem? Quando? Onde?" — ancoragem situacional concreta.
"O que você faz (ou deixa de fazer) por causa disso? Que comportamentos estão envolvidos?" — do interno ao observável.
"O que seria diferente se esse problema estivesse resolvido? O que você estaria fazendo que não faz agora?" — o objetivo no positivo.
"Quando esse problema não acontece, ou acontece menos? O que é diferente nessas situações?" — mapeamento de exceções.
Critérios de uma Boa Definição
Uma definição de qualidade passa pelo filtro de três critérios. Se um falha, o problema ainda precisa de refinamento antes de avançar para a geração de alternativas.
O problema refere-se a situações, comportamentos ou consequências concretas — não a estados internos amplos. Evitar: "minha personalidade", "quem eu sou", "sempre fui assim".
Seria possível para um observador externo verificar o que está sendo descrito? Se não, o problema ainda mistura fatos com interpretações ou emoções com comportamentos.
A formulação abre espaço para ações possíveis. Se a resposta à pergunta "Como posso…?" não faz sentido com esta definição, é porque ela ainda não é acionável.
"Um problema bem colocado é um problema meio resolvido — invista tempo na definição antes de agir."