Um conjunto heterogêneo de apresentações em torno de dois domínios comuns — comunicação social e padrões restritos. Dois indivíduos com o mesmo diagnóstico podem ter vidas radicalmente diferentes.
O termo "espectro", consolidado pelo DSM-5 em 2013, substituiu as antigas categorias separadas (autismo clássico, Asperger, TGD-SOE) pelo reconhecimento de que essas manifestações formam um continuum.
Ambos são autistas — mas o que significa "ser autista" nessas duas vidas é profundamente diferente.
Essa heterogeneidade é a razão pela qual o clínico experiente desconfia de generalizações sobre o autismo. O DSM-5 reuniu, sob um único diagnóstico, manifestações radicalmente diferentes — porque compartilham um núcleo comum, não porque sejam o "mesmo quadro".
O diagnóstico de TEA se constrói sobre dois pilares obrigatórios — ambos presentes, ainda que em intensidades muito diferentes entre indivíduos.
Não classificam a pessoa — classificam o grau de suporte que a condição demanda do ambiente. Um mesmo indivíduo pode exigir níveis diferentes em diferentes fases da vida.
Dificuldades sociais perceptíveis ao observador treinado. Inflexibilidade causa interferência significativa em um ou mais contextos — trabalho, escola ou relacionamentos.
Déficits notáveis em comunicação verbal e não-verbal. Comportamentos restritos aparentes ao observador mesmo não-treinado. Mudanças de foco ou ação exigem suporte.
Déficits severos em comunicação verbal e não-verbal. Fala muito limitada ou ausente. Extrema dificuldade em lidar com mudanças. Comportamentos restritos interferem em todas as áreas.
Dois grupos foram sistematicamente invisibilizados pelos critérios tradicionais: adultos que cresceram sem diagnóstico em uma era em que o autismo era mal compreendido — e mulheres, cujas apresentações frequentemente envolvem masking.
Ao longo de décadas, o esforço sustentado de mascarar produz um quadro de exaustão, ansiedade e depressão que chega ao consultório — frequentemente sem que o diagnóstico subjacente de TEA tenha sequer sido considerado. A camuflagem é um dos principais fatores associados ao diagnóstico tardio em mulheres.