- Crenças Irracionais: O que São e Por que Causam Sofrimento
- O conceito de crença irracional é central na REBT — mas é frequentemente mal compreendido. Ellis não usava "irracional" para significar "louco", "absurdo" ou "sem sentido". Usava no sentido preciso de crenças que não passam por três critérios de racionalidade: que não são consistentes com a realidade empírica, que não seguem logicamente das premissas disponíveis, e que não servem aos objetivos e ao bem-estar do indivíduo a longo prazo.
- Por esse critério, muitas das crenças mais comuns e socialmente aceitas são, na definição de Ellis, irracionais — não por serem incomuns, mas por causarem sofrimento desnecessário sem nenhum benefício adaptativo correspondente.
- As quatro categorias de crenças irracionais
- Ellis identificou quatro categorias principais de crenças irracionais que se apresentam em diferentes contextos clínicos:
- Demandas absolutas: a transformação de preferências em exigências absolutas, expressas pelo vocabulário de "devo", "tenho que", "preciso absolutamente", "você deve". "Eu devo ser aprovado por todos que me importam", "o mundo deve ser justo", "você deve me tratar bem". A absoluticidade é o problema — não a preferência em si, que pode ser saudável.
- Awfulizing (catastrofização extrema): a avaliação de eventos ruins como "horrível", "insuportável", "o pior possível" — como se fossem piores do que qualquer coisa que pudesse existir. O awfulizing transforma o difícil em catástrofe e o desconfortável em insuportável.
- Baixa Tolerância à Frustração (LFT): a crença de que não se consegue suportar o desconforto, a frustração ou a adversidade — "não consigo lidar com isso", "é insuportável". LFT leva à evitação, à procrastinação e à dependência de conforto imediato.
- Depreciação global: a condenação total de si mesmo ou de outros como pessoa inteira com base em comportamentos específicos — "sou um fracasso", "ele é uma pessoa terrível". A depreciação global é diferente da avaliação de comportamentos específicos, que pode ser legítima.
- As crenças racionais correspondentes
- A REBT não pede que o paciente pense positivamente — pede que pense com precisão e flexibilidade. Para cada crença irracional existe uma crença racional correspondente:
- Demanda → preferência: "prefiro muito ser aprovado, mas não preciso absolutamente disso para ter valor ou funcionar."
- Awfulizing → avaliação realista: "isso é muito ruim e difícil, mas não é o fim do mundo nem o pior que poderia existir."
- LFT → alta tolerância à frustração: "é difícil e desconfortável, mas consigo suportar — e vale a pena suportar para alcançar o que importa."
- Depreciação global → aceitação incondicional: comportamentos e escolhas podem ser avaliados como ruins; a pessoa inteira não pode ser legitimamente reduzida a eles.
- Aceitação Incondicional de Si Mesmo, dos Outros e da Vida
- Ellis defendia que o núcleo da saúde psicológica é a capacidade de aceitação incondicional — de si mesmo (AIS), dos outros (AIO) e da vida (AIV). Não autoestima condicional, que oscila com o desempenho e a aprovação externa. Não aprovação de comportamentos ruins — mas recusa a condenar pessoas inteiras com base em comportamentos específicos.
- Essa distinção é sutil mas clinicamente fundamental: "o que fiz foi errado e vou agir diferente" é responsabilidade. "Sou um fracasso como ser humano" é depreciação global — e não muda o comportamento, apenas aumenta o sofrimento.
- Livros de Albert Ellis disponíveis — Albert Ellis Institute
"Deveria" é a fonte de muito sofrimento desnecessário. "Prefiro muito" é mais honesto, mais flexível e infinitamente mais saudável para a vida que se quer levar.