- Por que usar escalas de ansiedade na prática clínica
- A avaliação sistemática com escalas padronizadas não é burocracia — é clínica. O sofrimento subjetivo do paciente é real, mas a linguagem verbal é imprecisa e variável: "estou melhor" pode significar coisas muito diferentes de sessão para sessão, dependendo do humor do dia, de eventos recentes e da forma como a pergunta é feita. Escalas validadas transformam experiências subjetivas em dados comparáveis, permitem monitorar a trajetória do tratamento com objetividade e detectam deteriorações antes que o paciente as verbalize.
- GAD-7 — rastreamento e monitoramento do TAG
- O GAD-7 (Generalized Anxiety Disorder 7-item scale) é o instrumento mais utilizado globalmente para rastreamento do Transtorno de Ansiedade Generalizada. Com 7 itens e pontuação de 0 a 21, classifica a gravidade em mínima (0–4), leve (5–9), moderada (10–14) e grave (15–21). É gratuito, de domínio público, validado no Brasil e leva menos de 2 minutos para ser preenchido — o que o torna viável como rastreamento rotineiro em início de sessão. Escores ≥ 10 têm sensibilidade de 89% e especificidade de 82% para o diagnóstico de TAG.
- BAI — ansiedade somática na perspectiva de Beck
- O BAI (Beck Anxiety Inventory), desenvolvido por Aaron Beck, foca especificamente nas manifestações somáticas da ansiedade — taquicardia, sudorese, tontura, falta de ar — diferenciando-a da depressão com maior precisão do que escalas que medem ansiedade de forma mais ampla. Com 21 itens, é especialmente útil no contexto do tratamento do Transtorno do Pânico, onde o monitoramento das sensações físicas é central ao progresso terapêutico.
- DASS-21 — depressão, ansiedade e estresse em uma única escala
- A DASS-21 (Depression Anxiety Stress Scales — versão breve com 21 itens) avalia três dimensões simultaneamente: depressão, ansiedade e estresse. Cada subescala tem 7 itens, e a escala completa é gratuita e amplamente validada no Brasil. É particularmente útil na avaliação inicial — quando o quadro ainda não está claramente definido — e para monitorar como cada dimensão responde ao tratamento de forma independente.
Use escalas em todas as sessões — o número mostra o que as palavras muitas vezes não conseguem expressar com clareza.